MATÉRIAS COMPLETAS - Resumo Principal - ANO 1 - N°01 - JAN/FEV 1998

Todos os problemas de pele, encontrados cotidianamente em nossos consultórios, tornan-se na maior parte das vezes uma preocupação geral, dada a variedade com que se apresentam e sua reação aos tratamentos. Comentaremos alguns casos em que temos notado uma resposta significativa, senão total sobre a sua cura. São aqueles pacientes que já foram tratados de várias maneiras, métodos, tópicos ou sistêmicos, que de certa forma reagem bem ao tratamento indicado, recidivando algum tempo depois. Novamente são repetidos os procedimentos, os resultados obtidos são positivos, mas há um retorno dos sintomas, posteriormente. Afastadas as causas mais comuns, quer pelo tratamento indicado, quer através de alguns exames, temos o hábito de submeter estes animais sistematicamente a um teste específico, sanguíneo, para alergia, onde são realizadas pesquisas com alergênios de ingestão, inalação e contato. Passaremos então a descrever alguns casos em que o sucesso do procedimento foi relevante para a conduta clínica.
NOVOS CAMINHOS
Tivemos também alguns casos, como uma pastora alemã, com feridas pelo corpo todo, mau cheiro em decorrência de necrose tecidual, perdas de tufos de pêlos, pele enegrecida e fistulada que comumente chamamos de "lepracanina", positiva para várias bactérias
quereagiram muito bem ao seguinte tratamento:
- Raspagem geral do corpo.
- Aplicação tópica de kilol associado ao shampoo de chlorhexidine.
- Rilexine durante um período de 3 meses.

Outros proprietários que não quiseram investir em exames, analisando todo o passado destes animais, optamos por mudar os hábitos alimentares, bem como os locais de uso frequente, lançando mão de novos produtos
p
Alopecia, crostas e descamação na região lateral de cão com pênfigo foliáceo.

industrializados (rações) disponíveis, com diferentes e novas fontes de proteínas, ácidos graxos, etc, conquistando resultados favoráveis. Apresentando estes procedimentos, não estamos afirmando que todas as dermatoses aqui se enquadram e possam ser resolvidas, mas podemos sugerir ou chamar a atenção para um outro caminho a ser considerado como pesquisa e tratamento.
CASO 1
Um exemplar da raça Fox Paulistinha, fêmea, com 9 anos de idade, apresentando várias lesões disformes pelo corpo, com soluções de continuidade, prurido, pele constantemente avermelhada.

O referido animal já havia sido submetido a vários tratamentos durante alguns anos, sem sucesso aparente. Submetido ao teste alérgico, apresentou uma resposta fortemente positiva para nicotina.

Como hábito de vida, todas as noites o cão participava de reunião familiar na sala de televisão. Todos eram fumantes, ficando o ambiente saturado, tornando nosso paciente um fumante inveterado.

Retirado o animal da sala, que não foi submetido a nenhum tratamento terapêutico, teve uma recuperação total em 40 dias, não havendo mais recidiva do quadro.


Nevo sebáceo no flanco de um cão (a área foi tosquiada).
CASO 2
Dermatite por toxidendro, na superfície dorsal do pescoço.
Um exemplar da raça Basset, macho, com anos 8 de idade, apresentando um prurido generalizado que o incomodava e aos familiares, pele ligeira-mente avermelhada, que, ao toque, apre-sentava quase sempre, uma sensação de "quente".

Tratado com banhos medicinais, corticoesteroides, cremes, etc., apresentava sempre melhora. Quando se descuidava da sua manutenção, eis que o problema retornava.

Submetido ao teste alérgico, apresentou um resultado fortemente positivo de reação à proteína de carne bovina.

Como tratamento, substituiu-se a alimentação, cuja fonte protéica passou a ser fornecida por rações à base de peru e cordeiro, sendo seu problema resolvido, definitiva-mente, cerca de 2 meses após o início do tratamento.
CASO 3
Um exemplar sem raça definida, fêmea, com 6 anos de idade, apresentando um quadro de pequenas pápulas pruriginosas, intenso prurido com abdomem extrema-mente avermelhado e com sensação de "quente" ao tato, estando sendo tratada classicamente há anos, sem apresentar resultado satisfatório. A proprietária deste animal gabava-se da situação de limpeza em que sua residência e os animais eram mantidos. Semanalmente eram banhados, bem como toda a sua roupa de uso diário. Coletado o sangue e analisado, apresentou resultado extremamente positivo para essências bem como para derivados do pinho. Na presteza de manter tudo muito limpo, era usado "Pinho Sol" semanalmente na água de lavagem das roupas do cão, bem como da sua cama. Mudado este hábito, não o de limpeza, mas do produto usado, mantendo um manejo correto, os sintomas foram desaparecendo gradualmente, sem uso de medicamento algum.

Erupção medicamentosa (cloranfenicol) em cão. Petéquias e equimoses na axila.
CASO 4

Um exemplar da raça poodle, fêmea, com 7 anos de idade, passou a apresentar, depois de um determinado perío-do, um processo alér-gico, com prurido que incomodava a todos, pe-quenas lesões localiza-das, mordiscando constantemente as patas.

Este animal já havia sido submetido a uma série de tratamentos, dos mais variados, sem no entanto apresentar resultado algum.

Para não continuar o mesmo esquema, coletamos material para exame.



Eritema e alopecia no períneo, parte ventral da cauda e coxasde cão com hipersen-sibilidade a alimento

Este animal pertencia a uma família de origem árabe, recebia como alimento quase que diário, quibe.

Ao recebermos o resul-tado de alergia, mos-trou-se positivo o trigo.

O hábito de ingerir constantemente este tipo de alimento croni-ficou sua sensibilidade. Ao retirar-se da ingesta o produto, tudo voltou ao normal.

O autor, doutor Fernando Cezar Patitucci é medico veterinário e Presidente do
SlNPAVET- Sindicado Patronal dos Médicos Veterinários - SP.